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Desliguem a sirene

Quando as portas da ambulância se fecharam, eu vi o céu cinza e pensei nas lágrimas anunciadas. Eu sou o bastardo da criação e eu agora estou imobilizado pelos meus erros, mas eu consegui, eu não sinto mais. Desculpe, vocês não vão me salvar hoje, não existe salvação pra quem esqueceu de si mesmo. Por favor, desliguem a sirene, eu não quero acordar ninguém, eu não quero que ninguém na rua olhe para mim enquanto conquisto o beijo da mulher que eu tanto sonhei.
Meus pés de longas caminhadas e meu peito de tantos abraços estão perdendo a força, eu caminhei em direção a esperança, depois de abraça-la descobri que ela não queria mais me ver, eu não sei o caminho de volta, por isso acabei aqui, vocês me receberam bem, obrigado. Foi bom deitar, eu estava cansado de sonhar que um dia poderia ter sonhos, foi tão difícil viver tentando me convencer que eu vou conseguir colocar os pés no chão mais uma vez quando chega o amanhã, foi mais difícil ainda fazer isso só por pensar que eu não mereço as lagrimas de quem um dia eu já toquei, eu acho que esse foi meu maior pecado, eu nunca deveria ter me apresentado para vocês. Quem eu fui? Uma cicatriz profunda para alguns, um bobo da corte para outros, um samba tocado por bêbados entre seus sorrisos, um olhar negro, um homem sujo, um louco que esqueceram de amarrar... Eu não queria ter deixado memórias, eu não quero nenhuma massagem no meu peito agora, eu vou deixar todo mundo em paz agora, me deixem alcançar a minha. O passeio foi bom, acho que é hora de fechar os olhos... Eu não quero atrapalhar a primavera.
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Atualizado em: Seg 18 Out 2021

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