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Flores

Meus gritos caminham pelo céu. Depois de sentir as areias da ampulheta caírem sobre meu rosto, deixei de ao menos desejar ser ouvido. Os rostos, todos eles carregam chagas e dizeres, como posso ousar dizer que estou só se cada um me visita depois de a lua alcançar seu lugar mais alto no céu? Eu ainda ouço todas as vozes, eu ainda vivo as promessas, eu ainda vivo os sonhos deixados toda vez que fecho meus olhos, mas o mundo insiste em me acordar como uma foice que espera a colheita da primavera, as paredes ainda insistem em ver a cor vermelha das lágrimas que deixo sobre o travesseiro ao acordar, o mundo ainda aponta o relógio, sim, levante-se. Eu fui esquecido em algum canto pelas minhas próprias mãos, elas não querem mais traduzir qualquer de minhas dores em meu próprio sangue, eu não navego mais sobre os rios que caem do chuveiro, a única correnteza que me carrega é a do vazio e esse vazio reside dentro dos segundos que se estendem em meus dias, esse vazio é a única palavra que surge quando se pergunta onde minha alma está. Desculpe, minha pele está fria, minhas palavras não mais aquecem, minha vida deixa de ter importância, eu não queria ser um sarcófago das esperanças que um dia nutriram os que se importaram comigo, eu não mereço nenhuma lágrima, eu não mereço ter sonhado algum dia, eu não mereço palmas, eu não mereço mais o chão que toca meus pés... eu estou cansado do ar que respiro. Será que eu poderia renascer como uma flor? Apenas viver pelo sol e nunca mais sentir dor.  

 

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Atualizado em: Sex 30 Jul 2021

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