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Negócio da China

Eu só tenho assistido a filmes de terror. Não, não são de vampiro, serial killer ou espíritos do mal. Indo na onda coronavírus (COVID-19), entrei em pânico. Agora, só vejo filmes de zumbis, mais precisamente e abrangente, qualquer filme que retrate o mundo pós-apocalipse. Viral, Flu, Epidemia, Pandemia (série) e um lote de filmes de zumbis, mortos-vivos e outras desgraças.
Enquanto corria risco só quem vinha do exterior, eu estava seguro; quando a tigrada entrou no grupo de risco, ou seja, quem frequenta a 25 de Março, aí eu comecei a correr perigo.  Tive que espancar uma velhinha que ousou pegar o último álcool gel da prateleira do supermercado. Não há outra maneira de estocar, como já fiz com papel higiênico e itens alimentícios. Máscara, tirei a do Carnaval e coloquei uma cirúrgica. Tem mais, vou me empanturrar de hidroxicloroquina, o Trump disse que cura. Quem espirrar ou tossir, apanha. Bato  com um bastão de beisebol na cabeça, pro vírus não espalhar. Estou fazendo a minha parte. O William Bonner fez terrorismo, em horário nobre, não venha pedir calma.
Antes do Carnaval não convinha espalhar (com trocadilho) o terror. Além de estragar a festa, nesse período já tem um vírus quase fatal circulando. Carnaval nunca poderá ser revogado. Quanto aos mortos: “Atrás do trio elétrico só não vai quem já morreu”.
Instalou-se o medo, em São Paulo. Salve geral, digo, toque de recolher...  Enfim, João Dória, o político de pulôver, sem glúten e livre de lactose, fez o que mais sabe: proibiu. Nosso irresponsável governante, radical de centro, saltou de prefeito a governador e pretende ser presidente. João gosta de “fechar negócio”.
Em acontecimentos como esse, surgem oportunistas de todo tipo. Alpinistas políticos vislumbrando um cargo público de maior visibilidade, tentam emplacar as mais absurdas medidas. Soltar, da cadeia, quem foi preso por crimes “leves”; e prender quem estiver circulando onde ofereça perigo ao público. Deixe eu ver se entendi: solta bandido, prende cidadão !
Ligo a Televisão, é a terrível ameaça invisível coronavírus. Por enquanto todos acham divertido ficar em casa. Os pais ensinam velhas (analógicas) brincadeiras às crianças e antigos jogos de tabuleiro são resgatados, num esforço arqueológico, de cima do guarda-roupa. Depois de duas semanas, prevejo, ninguém aguentará ficar em casa. Além do cheiro de naftalina, esgotará a paciência dos pais com os filhos (vice-versa), o surrado Banco Imobiliário voltará para o guarda-roupa e alguém sairá ferido de alguma brincadeira de mão. 
Para ilustrar o atual momento, muitos citam a música de Raul Seixas “O dia em que a Terra parou”. Eu sou mais original (será?) e local, por isso cito Inocentes, “Pânico em SP”. Após essa simulação de fim do mundo, o meu pessimismo permite prever: as pessoas voltarão a brigar por política (direita x esquerda), voltarão a ter vergonha de cantar na janela do prédio e cantar em frente à câmera do celular será, novamente, mero exibicionismo. E assim caminha a Humanidade...
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Atualizado em: Qua 25 Mar 2020

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