person_outline



search

Rituais

Os ventos uivavam, impetuosos;
as janelas abertas batiam asas, sincopadas;
na cabana escura, dançavam vultos tenebrosos
para ajuntar as mil almas, todas usurpadas.

Num canto, acocorada, inspirava-se a morte
sobre um próximo desenlace;
os vapores frêmitos eram seu consorte
a energizar sua desfigurada face.

A turba, agitada, viu-se faminta;
manjares logo mais seriam servidos;
o menu lia horas, dias e semanas, à finta;
para anestesiar os que seriam abduzidos.

A noite, densa, finalizando seus vapores,
silenciava os ventos; escolhia suas alfaias;
os manjares consumidos em estupores,
enquanto a morte nomeava novas aias.

Saciados, todos se puseram à labuta
para ceifar o que fora programado.
Ao amanhecer, o sol ergueria sua batuta
e regeria mais um dia, como diagramado.
Pin It
Atualizado em: Sex 11 Jun 2021

Deixe seu comentário
É preciso estar "logado".

Curtir no Facebook

Autores.com.br
Curitiba - PR

webmaster@number1.com.br

whatsapp  WhatsApp  (41) 99115-5222